Carta a minha filha. Da Europa à Anti-Europa
por Rafael Castela Santos
Querida filha,
Escrevo-ta porque és verdadeiramente europeia. Porque foste concebida em Portugal, em Fátima, porque nas tuas veias corre sangue espanhol, francês e alemão. Porque cresceste no Reino Unido. Porque falas vários idiomas e, além disso, já sabes alguma coisa de latim. Porque em ti vê o teu pai, que te ama profundamente, reflectida uma certa ideia carolíngia que me enche de saudade. E porque, acima de tudo, és católica, que é a verdadeira Fé: "Unique et Vraie", como te faço repetir frequentemente, petite chouanne. Porque a única maneira de se ser verdadeiramente europeu é ser-se católico. Os que o não são e os que combatem a nossa Santa Religião são destruidores da Europa, saibam-no ou não.
Há uns dois mil anos, um povo nobre, os romanos, conquistavam a Europa. Eram excelentes em engenharia civil e na arte militar. Lembra-te das pontes e dos aquedutos que vimos em Espanha e nas calçadas e ruínas romanas que visitámos em Cirencester, em Metz, em Salamanca, em Mérida ou em Évora. E, minha filha, ainda nos deixaram leis, o Direito Romano, um monumento impressionante que nos continua a inspirar actualmente. Um dia vou explicar-to, mas isto tem a ver com o que o papá te disse sobre ser justo, tal como te digo que temos de ser justos com os nossos vizinhos ou que tens de ser justa com as outras meninas da escola.
Sabes que o papá sempre te diz que o romano ficou mais e melhor identificado na pele dos touros de Espanha e de Portugal do que nos do resto do Império. Somos mais romanos que os outros romanos, se assim se pode dizer. Vês este amor reverencial que tenho pelos teus avós que são os meus pais? Vês que a primeira coisa que faço quando te levo à minha Lusitânia interior é ir ao cemitério? Isto, minha querida, são coisas da nossa Santa Religião, mas também são coisas dos romanos. Quando eu for velhinho quero que tenhas por mim o mesma respeito que tenho pelos teus avós e, quando morrer, quero que rezes por mim tal como eu faço por todos os nossos mortos. Não te peço isto só por mim mas também por ti, para que saibas onde estão as tuas raízes. E porque ao honrares os teus pais e antepassados honras a tua Pátria, meu tesouro.
Sempre te digo, minha filha, que penses nas coisas, que raciocines. Porque de todas as faculdades da tua alma a razão é a mais importante. Mas isso, minha filha, foi-nos ensinado pelos gregos. E os romanos, quando se expandiram e invadiram outras terras, deram-se conta, porque não eram tontos, de que os gregos eram muito espertos e capazes. Assim se ligam romanos e gregos. Lembras-te do homem que soube morrer serenamente e que se chamava Sócrates? E daquele outro que era o mais privilegiado da Antiguidade, Aristóteles, de quem já te falei? Esses eram gregos. Um destes dias, minha filha - se Deus quiser - vamos lê-los juntos e falaremos deles.
Mas faltava vida a tudo isto. Existiam demasiadas mortes, demasiada crueldade. Havia escravidão. Mas, sobretudo, havia escuridão. E havia tudo isto porque os nossos primeiros pais, Adão e Eva, pecaram. Tornava-se necessário restaurar a raça humana. Porque só um Deus podia apagar a ofensa que nós, os humanos, Lhe tínhamos feito. Entre um povo eleito por Deus, os judeus, cujo sangue também te corre nas veias, nasceu o Messias, o Redentor: Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas Israel, chamado a ser a luz do mundo, rechaçou o Filho mais Sublime da raça escolhida e a sua mensagem chegou a Roma, aos gentios.
Sobre esta obrigação assumida de amar a Deus sobre todas as coisas os homens construíram durante centenas de anos a maior civilização jamais conhecida: a civilização cristã. Repara, minha filha, que nessas Catedrais e nesses castelos que temos visto juntos, sempre Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, é a figura central. Nota quantas coisas belas e preciosas se fizeram. Esse Santo a quem rezamos, São Tomás de Aquino, escreveu uma obra única. Um poeta genial, Dante, escreveu a Divina Comédia. Recordo-me, minha filha, de como um dos melhores momentos da minha vida era quando me sentava ao lado do teu berço vendo-te dormir e relia a Divina Comédia. A Virgem, meu amor, estendia o seu manto azul e protector sobre aquela civilização.
Mas veio a decadência e a Europa, a Cristandade, deixou de ser Cristandade. Começou a Anti-Europa, a Anti-Cristandade. Tal como na época de Moisés, quando desceu do Sinai e encontrou o povo eleito adorando um bezerro de ouro, começou a prosperar a ideia de que o dinheiro e o comércio eram o mais importante. Já não existiam cavalheiros a protegerem donzelas nos castelos, tal como nos contos que te leio, e os reis e os poderosos exploravam os pobres e os desvalidos em vez de os defenderem como seria seu dever.
As pessoas começaram a pensar coisas estranhas, minha filha. As palavras ficaram vazias de significado e entregaram-se os homens a coisas feias. Até aí o centro de tudo era Deus, Jesus Cristo. Começaram a pôr o homem no centro das coisas e a Deus já não lhe davam importância. Vieram homens maus, como Lutero, que dividiram a Europa em duas. Dás-te conta, minha querida, de que na nossa querida Alsácia os povos luteranos, embora sejam mais limpos pelo lado de fora, são mais feios do que os católicos?
A seguir vieram coisas terríveis, como o que sucedeu nessa tua outra pátria, a França, onde uns revolucionários miseráveis construíram um mundo que odiava a Deus e à Santa Igreja Católica. A Anti-Europa, a Anti-Cristandade, mostrava a sua verdadeira face. Compreendes agora, minha filha, porque me aborreço e até grito cada vez que passeamos em França e vemos estátuas erigidas a pessoas como Eckermann, Kléber ou Napoleão, todos eles assassinos da pior espécie?
Mas, olha, em todos esses países houve resistência. Resistimos em La Vendée, em França, tal como quero que tu resistas, petite chouanne. Resistimos em Espanha, com os heróis carlistas, até à última Cruzada em 1936. Também nas outras Espanhas, que também são Europa, sofremos muito, como por exemplo os federais argentinos, que fizeram frente aos selvagens e imundos unitários, ou, mais tarde, os mártires carlistas em terras da Virgem de Guadalupe. Também lhes fizemos frente em Portugal, a esses republicanos, maçons e liberais. Em Itália fizemos o que pudemos contra os garibaldinos e carbonários, autênticas orcas saídas do Inferno…
Entretanto, na Rússia começava a germinar algo que acabaria por ser como Saurón. Tiraram o poder à Europa e pouco a pouco deram-no à Ásia, à China e à Rússia. O comunismo, a penúltima heresia mas até hoje a mais maléfica, triunfou nestes países. Se seguirmos a Mensagem de Fátima, um dia a Rússia voltará para a Fé e para a Igreja. Nesse dia a Europa ressuscitará.
Isso a que agora chamam Europa, a União Europeia, não são mais do que passos em direcção a esse homem de perdição, o Anticristo. Não creias neles, meu tesouro.
O papá não está bem de saúde, filha minha. Talvez eu já não veja. Mas transmiti-to o melhor que pude e soube. A Europa é a Cristandade, não é outra coisa. O que não for a Cristandade não é Europa, é a Anti-Europa. Pratica a virtude. Luta por isso, minha filha, ainda que para tal percas a vida. Transmite-o aos teus filhos, aos meus netos, e se fores freira - o que me alegraria - di-lo aos filhos espirituais que venhas a ter, porque te chamarão de Madre.
E combate o fariseísmo, que é o cancro que corrói o espírito.
Tem esperança, minha querida. Passamos tempos maus, mas a vitória pertence a Cristo e a mais ninguém. A Europa voltará a ser Europa. Regressará a Cristandade e ecoará um grito de felicidade como jamais a conhecemos em muitos séculos e haverá paz em Cristo. Isto já te ensinei a dizer em latim: Pax Christi.
Ah! Já me esquecia de uma outra coisa: Não comas tanto chocolate!
O teu pai que te quer muito, com toda a sua alma e todo o seu ser, que te abençoa em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Original aqui: http://www.alamedadigital.com.pt
esse é um blog sério?
ResponderEliminartem tanta bestialiadade que estou (quero) me convencendo que é são só piadas...
deve ser só uma sátira e eu estou fazendo papel de bobo...
Pois isto é o cúmulo da psicose mental.Eu chamar-lhe-ia "delirium papistorum".Em vez de pão, o autor deve comer hóstias ao pequeno almoço.
ResponderEliminarJá nada me surpreende, deste pobre povo tuga....
ResponderEliminare depois somos nós os jovens "geração rasca"....
aposto que quem escreveu essa "coisa" sem pés nem cabeça, usa bigode, uma unhaca, tem os dentes podres, e obviamente bebe demais... n fosse ele um tuga!!!!
essas linhas são tão podres, e gastas... que nem me ocorre um comentário, dada a pobreza a que os meus olhos se sujeitaram....
Veredicto: condenado á estupidez eterna: sem remédio!
A igreja católica tem impedido o progresso da humanidade desde a sua criação. Um estado que é uma zona franca e corrupta...e uma missão desfasada em absoluto das pessoas e dos seus ideais...existem assentes no desespero e ignorância das pessoas. Fé...isso é uma outra conversa..mas para a ter não precisamos de Igreja alguma..
ResponderEliminarEste blog é parte da terapia de algum atrasado mental... sem dúvida
@ PBOOM:
ResponderEliminarComo a Igreja Católica construiu a civilização ocidental
por Edison Minami
Thomas E. Woods Jr. Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental. São Paulo, Quadrante. 2008. 224p. [1]
Sobre o autor [2]
Nos últimos anos muito tem se falado e publicado sobre a Igreja Católica Apostólica Romana através de filmes, livros, documentários, revistas, programas de TV, rádio, internet. Apesar da variedade, existe um pressuposto politicamente correto em todas essas mídias: a crítica a religião. Mostrar outra visão da história ocidental é o objetivo do livro de Thomas E. Woods Jr.
Vale a pena ressaltar que o autor é norte americano, doutor em História pela Universidade de Harvard-USA, ou seja, um intelectual formado dentro da tradição historiográfica anglo-saxônica. Essa tradição, que remonta ao historiador alemão Leopoldo Von Hanke (séc. XIX), privilegia a consulta de documentos e menos a reflexão teórica sobre a história. Essa escola é chamada de Metódica ou Positivista. Essas informações adicionais nos ajudam a entender a preocupação de Woods em demonstrar diversos argumentos, elencando uma massa de dados e informações exaustiva, corroborando suas colocações.
O livro se divide em doze capítulos, onde são mapeadas as origens medievais do pensamento e da tecnologia atuais. Nos capítulos II, III e IV, em especial, Woods apresenta um exaustivo programa de reabilitação da Idade Média. Aqui ele se posiciona entre autores como Régine Pernoud, que desde os anos setenta do séc. XX já vinha empreendendo esse trabalho de reabilitação.
O Capítulo II trata da queda do Império Romano do Ocidente e de como a Igreja civilizou os bárbaros germânicos. Aqui é demonstrado como a conversão dos bárbaros foi essencial para a transmissão do saber e da cultura erudita romanas. Woods chega a afirmar que essa constatação por si só seria suficiente para demonstrar que a Igreja Católica não é obscurantista, mas quer proceder a uma releitura dessas culturas a partir da ótica de sua doutrina.
No capítulo III Woods destaca o papel das ordens monásticas nesse trabalho de manutenção da cultura, lembrando que a máxima de São Bento de Núrcia, Ora et labora (Trabalha e reza) pede que o monge exerça atividades intelectuais e manuais no mosteiro. Woods demonstra que os monges, nesse ponto, foram originais criando técnicas agrícolas e metalúrgicas que somente seriam superadas a partir da Revolução Industrial inglesa (Séc. XVIII). Woods também alerta para o papel de assistência social dos monges às populações vizinhas aos mosteiros.
No capítulo IV Woods lembra o papel primordial da Igreja Católica na criação das universidades medievais, invenção genuinamente medieval e que hoje marca a difusão da cultura em todas as partes. Woods procura mostrar que a Academia, apesar da origem eclesiástica, não se encontrava presa a instituição. O autor procura apresentar a Escolástica aristotélico-tomista como linha de pensamento livre da preocupação de controlar a razão em beneficio da fé.
ResponderEliminarÉ lugar comum acusar a escolástica de engessar o pensamento medieval. Para Woods, pelo contrário, o escolasticismo procurou racionalizar a fé harmonizando-a com a razão filosófica de raiz aristotélica e platônica. É claro que hoje, depois da herança do niilismo, do existencialismo e do relativismo, a harmonia entre fé e filosofia tornou-se mais difícil, mas o que Woods nos propõe é buscar novamente esse entendimento aparentemente tão difícil.
A partir do capitulo V aparece uma maior variedade nos temas. No mesmo capítulo é tratado o conflito entre o cientista Galileu Galilei e a cúria romana, símbolo do chamado obscurantismo católico, que Woods contrapõe à existência de sacerdotes cientistas durante a Idade Média, além dos jesuítas.
No capítulo VI o autor fala mais sobre a arquitetura medieval gótica, contribuição original ao mundo atual. Aqui é citado o trabalho de Erwin Panofsky Arquitetura gótica e escolástica[3] onde o estudioso traçou um paralelo entre a forma do raciocínio escolástico e a catedral gótica, demonstrando que ambas refletem a mesma finalidade: criar harmoniza, sejam linhas de pensamento filosófico, ou colunas, vitrais e altos relevos. Woods também demonstra que a transição da Idade Média para o Renascimento não foi acompanhada de uma ruptura radical entre a racionalidade e a fé cristã, lembrando que os principais artistas italianos do período eram cristãos.
Nos capítulos seguintes (VII, VIII, IX, X e XI) Woods trata mais de temas referentes a Era Moderna onde as contribuições da Igreja e de seus membros iriam se multiplicar ainda mais.
No capítulo VII Woods lembra que pensadores católicos foram pioneiros em criar o Direito Internacional na primeira metade do século XVI através de pensadores como Francisco de Vitória, e Bartolomeu de Las Casas, o Apóstolo das Américas. A originalidade desses pensadores foi empreender uma defesa dos índios contra a escravização, através da igualdade jurídica entre índios, colonos e negros, introduzindo a questão do outro na história moderna. Aqui Woods poderia ter dado mais espaço ao trabalho dos “antropólogos jesuítas”, antecessores dos antropólogos modernos, José de Acosta, Antonio Vieira e Jacques Lafitau, que também contribuíram para a defesa da igualdade cultural, jurídica e teológica entre todos os homens, inclusive judeus, árabes e demais grupos étnico-religiosos como pertencentes ao gênero humano.
Nos capítulos VIII e IX, Woods nos lembra que o catolicismo criou uma original teoria econômica e a mais completa rede de caridade e assistência social que o mundo até então conheceu. Em particular no cap. VIII, Woods empreende a tarefa difícil de criticar o pensamento do sociólogo alemão Max Weber, embora não o cite textualmente nem o coloque em sua bibliografia.
Vale lembrar que Weber em sua mais famosa obra Ética protestante e o espírito do capitalismo[4] afirmou que o capitalismo moderno somente atingiu sua maturidade a partir do séc. XVI com a Reforma Protestante e sua ética do trabalho, que teria servido de ideologia religiosa para o nascente capitalismo, em contraponto as condenações do lucro e da usura emitidas pela Igreja Católica durante a Idade Média. Woods critica essa abordagem por ela ver apenas fins objetivos no trabalho, o lucro material, sem dar relevo a realização pessoal do trabalhador em exercer sua atividade profissional.
ResponderEliminarOutro grande pensador criticado por Woods é Karl Marx, considerado o maior crítico do liberalismo e da burguesia. Contra os conceitos de luta de classes, mais valia e revolução, Woods diz que Marx não levou em conta na teoria dos salários o valor subjetivo das mercadorias que determinam, mais que o tempo e o esforço do trabalhador, o valor da mercadoria. Nos dois casos, Woods está influenciado pela Doutrina Social da Igreja, que busca o equilíbrio moral nas relações entre capital e trabalho, abrindo dimensões lúdicas e espirituais para o trabalho e o capitalismo.
Os capítulos finais (IX, X e XI) servem para Woods refletir sobre as contribuições mais profundas da Igreja Católica ao mundo ocidental: a caridade, o direito canônico e a moral.
Sobre a caridade, Woods lembra que é uma prática que remonta aos tempos apostólicos (sécs. I e II) e que ainda hoje nos assombra. Pessoas aparentemente sem interesse material nenhum se dignaram a cuidar de doentes terminais, órfãos, idosos, aleijados, excluídos. O autor lembra que essa prática passou por um longo processo de organização durante a Idade Média a partir dos leprosários chegando às ordens dos Cavaleiros Hospitalários, monges guerreiros cujo carisma era proteger e socorrer os peregrinos que rumavam para Jerusalém, criando uma estrutura de atendimento aos doentes que marcou época.
No Capítulo X Woods trata do desenvolvimento do Código de Direito Canônico por Graciano no séc. XII, e de como ele serviu de modelo para as atuais legislações judiciais modernas. Aqui Woods lembra que a Inquisição, tão execrada nos nossos dias, no séc. XIII era considerada a última palavra em legislação, principalmente se comparada ao direito secular, baseado no direito germânico e nos “Juízos de Deus”, também chamadas de Ordálias, que, como Woods bem lembra, forçavam a intervenção divina para salvar um inocente da execução sumária.
ResponderEliminarPor fim, o Capítulo XI agrupa diversos assuntos relativos a moral: duelos de honra, guerra justa, castidade, dignidade feminina. Woods defende que o mundo atual deve procurar o equilíbrio entre os direitos e deveres de indivíduos, grupos e Estados Modernos, pautados pela chamada Lei Natural.
A conclusão que chegamos ao fim da leitura é o de que o Cristianismo teve um papel fundamental na criação de instituições em diversas áreas, como educação, agricultura, indústria, direito civil, saúde, sendo que em algumas destas áreas seu pioneirismo ainda não teria sido superado. E, se hoje esse papel é esquecido ou mesmo execrado, para Woods mais que uma injustiça, essa atitude constitui um anacronismo histórico legado acriticamente para as gerações atuais. Assim podemos colocar Woods como um dos grandes apologetas cristãos da atualidade.